Em destaque

Instruções à (ao) sósia

Diretrizes para o décimo exercício


Suponha que seu dia de amanhã será vivido por sua (seu) sósia, e não por você. Durante 24 horas sua (seu) sósia estará em seu lugar – em casa, no trabalho, na praia, onde quer que você pretendesse ir. Escreva instruções à (ao) sósia para que ninguém perceba a substituição, nem as deusas.

Instruções para ouvir música – procedimentos seguidos e resultados alcançados

A nona proposta de exercício do curso foi escolher uma das instruções para ouvir música e colocá-la em prática, seguindo o passo a passo. Leia abaixo os procedimentos seguidos e os resultados alcançados:


Escolha a sua

MARCONDES, Gab.

Se não conheço a música mas te conheço, continuo ou danço? É fácil chorar hoje. Na janela a neblina respira comigo ou eu com ela. As folhas verdes imóveis do abacateiro são o inverso de uma esperança. Tudo está parado menos a melodia. Ela me trouxe até aqui e me deixou sozinha. Olho nos olhos úmidos dela e digo que toda dor é uma escolha e toda escolha uma dor. Escolha a sua.


Dançando com Freddie

Não tive dúvidas sobre qual música preferia ouvir. Escolhi esbanjar energia positiva com a banda Queen, claro! Don’t Stop Me Now é música de levantar defunto. Sim, para chacoalhar a alma, como foi dito, energizar o corpo, agradecer por estar viva e plena de saúde, nesses tempos tão terríveis de pandemia!

Subverti a ordem de despertar com a música e a coloquei para tocar no finzinho de uma tarde ensolarada. Estava sozinha numa casa espaçosa, com varanda e vista para umas colinas, que ainda reluziam seus verdes sob os últimos raios de sol. Coloquei o clipe da música na tevê e comecei a pular e a rodopiar de braços abertos, fazendo aviãozinho, como uma criança. E assim, pulando, abri a porta e fui para a varanda, depois de aumentar bastante o som. Ali, continuei dançando e cantarolando o refrão “don’t stop me now”, enquanto admirava e abraçava a paisagem.

Depois retornei à sala para assistir ao solo de guitarra e simular que era eu que tocava, era eu que estava no palco, era eu que cantava, e não podia parar, porque estava simplesmente... feliz!


Não me pare agora

Eu já tinha acordado. Estava arrumada pra começar o home office, quando, ao cantarolar Don’t Stop Me Now, lembrei do exercício. A experiência já me acompanhava há dias, desde quando decidi que seria essa a música. Assim, viver o exercício ativamente foi só o término de uma semana – mais alegre – cantarolando Queen.

Minutos antes de entrar em mais uma sala do Google Meet, para mais uma aula online, coloquei uma versão live action da música. Queen tocando em Tóquio, me propus a me sentir no show e… meu computador não aguentou o excesso de abas, de energia, travou.

Não me pare agora...

Minha alegria e dança não travaram e liberei a catarse necessária para chegar ao quase fim dessa semana intensa de final de ano letivo escolar.

E começa mais um dia.


Ciranda de bênçãos

Da varanda observo o mar. Mesmo de longe sinto sua energia, sua imensidão imponente margeada pelo verde manguezal. O sol se pondo, alaranjando o horizonte. Na caixa de som — Reza — na melodiosa voz de Maria Rita. Impregnada pela paisagem, em sons e movimentos me coloco a homenagear a Rainha do Mar. Fecho os olhos e, de mãos postas, ouço os primeiros acordes dessa “oração” cantada. Meu coração acelera. A cada frase, pedidos de bênçãos, mentalizo pessoas e situações — emano boas energias. Movimento meu corpo em uma ciranda inebriante. A música chega ao fim, deito no chão para desacelerar o ritmo cardíaco. O corpo energizado, encharcado de paz.



Quem não está inscrito no curso, mas quer embarcar na proposta e compor o coletivo de criação, basta acompanhar as postagens do blog e do Instagram (@roteirosminimos) e fazer os exercícios propostos, enviando-nos para publicação.

Instruções para ouvir música – passo a passo

A oitava proposta de exercício do curso foi escolher uma música e escrever instruções sobre como ouvi-la. Leia abaixo algumas dessas instruções. Aproveite para fazer a nona proposta de exercício: escolher uma das instruções para ouvir música, colocá-la em prática seguindo o passo a passo, e escrever um relato sobre os procedimentos seguidos e os resultados alcançados.


Vai, Tigresa

VELOSO, Caetano. Capa e contracapa do álbum “Bicho”, 1977.

A boate de luz neon está cheia e o barulho tão alto que a única forma de você saber qual música está tocando será através de um intermediário. Procure alguém de unhas negras, íris cor de mel e que se movimente como uma felina. Todos estão de máscara, não a máscara de prevenção à covid, mas daquelas dos carnavais do Rio, Salvador e Olinda, com purpurinas e paetês.

Vá pro meio da pista com trejeitos de bailarina do frenético dancing day. Se ouvir um balbucio, encoste, chegue perto daquela pele marrom. Se ela estiver cantando, pergunte o que ela faz. Se já foi atriz e trabalhou no hair, pronto. É a tigresa que te aconteceu e você acabou de saber qual música está tocando. Enquanto vocês dançam e cantam, provavelmente ela fará revelações do tipo: “o mal é bom, e o bem, cruel”; “gostava de política”; “com alguns homens foi feliz, com outros foi mulher”. Se você perceber tristeza nesta beleza selvagem, releve: ela também falou que “um dia tudo vai mudar”, que “ela vai ser o que quis inventando um lugar, onde a gente e a natureza vivam feliz e em comunhão”. Ela pode espalhar dor, mas também prazer. Peguem o microfone no palco, cantem juntos e se esfreguem em homenagem ao Caetano Veloso, sem tirar o vinil que continuará arranhando na vitrola. Ousem. Cantem e dancem até o amanhã nascer azul na beira do mar de Ipanema e, se possível, toquem um instrumento, assim você estará por perto quando a tigresa se transformar em leoa.


Reza

RITA, Maria. Capa do álbum “Amor e Música”, 2018.

Entre neste link e conecte a caixa de som. Ajuste o volume num tom acima, de maneira que sons externos não atrapalhem. Antes de começar, defina como você prefere viver sua experiência. Você aproveitará melhor a vivência se estiver de pé e se iniciá-la de olhos cerrados, com abertura gradual das pálpebras. Mas você está livre para escolher: pode ficar de pé, sentada no sofá ou na poltrona da sala, de olhos abertos ou fechados.

Definidas as etapas preliminares, hora de apertar o play. O instrumental inicial dura poucos segundos e a ele logo é somada uma voz extasiante. Você perceberá o coração palpitar e será invadida por uma sensação de alegria e bem-estar. Em alguns instantes você poderá sentir o andamento da música acelerar um pouco e a voz alcançar o ápice. Será impossível controlar o desejo de se movimentar. Levante os braços para o alto, encha os pulmões de ar e solte a voz. Caso a memória falhe, acompanhe a letra enquanto interpreta (nesse caso uma das mãos se ocupará do telefone celular).

Cante cada trecho da música sem se conter. O refrão pede energia e emociona. Prepare-se! Neste momento você pode não ser capaz de conter as lágrimas. Deixe-as escorrer. Dance de um lado para o outro, rodopie, lembrando de manter os braços sempre para o alto com movimentos livres. Deixe o som te levar e siga o ritmo da música aproveitando cada momento.

Ao final, você irá se surpreender com um sentimento de paz e um sorriso gratificante e incontrolável no rosto. Fique 10 minutos sem fazer nada. Deixe o pensamento fluir e tente não focar em nenhum deles. Permita-se relaxar.


Receita para incorporar alegria

POLICE, The. Capa do álbum “Ghost in the Machine”, 1981.

Sua tarefa é dançar o mais livre possível e perceber como a alegria vai chegando pouco a pouco, à medida que seu corpo salta e rodopia no espaço. Eu gosto de fazer isso sozinha, mas nada impede que você arranje uma boa companhia.

Prepare um espaço livre para dançar. Pode ser o centro de sua sala. Ligue a TV e coloque o videoclipe da música Every Little Thing She Does is Magic, da banda The Police, para tocar no Youtube.

Aumente bastante o volume para que a música possa tomar conta de todo o ambiente. Imersa nela, solte o seu corpo. Tente aprender ao menos a letra do refrão para cantar junto, bem alto.

A música vai ganhando um ritmo cada vez mais contagiante, com toques de reggae. Veja como os habitantes da ilha caribenha de Montserrat se aproximam para dançar também. Repare nas mulheres que dançam alegremente.

Assista aos músicos dançando no estúdio. Tente imitar seus loucos movimentos e exagere ainda mais. Pule e rodopie, levante os braços alternadamente, sacuda a cabeça, rodopie e pule, o máximo que puder, até sentir seu coração acelerar.

Ao final, você poderá sentir tonteira e cansaço, mas certamente terá espantado qualquer ponta de tristeza. Essa é minha receita infalível para incorporar alegria.


Para se conectar com o céu (o seu)

BRAZA, Capa do álbum “Liquidificador”, 2018.

Sob o céu somos um, fique sob ele, escolha o melhor lugar que puder, seja uma varanda, um jardim, ou até mesmo uma janela. Se conecte com a gigantesca potência do universo. Dê play no vídeo. Se é pra viver, então viva agora, se abrace. Pode demorar, deixe o coração te conduzir.

Converse com o cosmos, da forma como você o enxerga, com sua crença ou ausência dela, experimente as possibilidades, e lá vamos com o som.


Música pra chorar em posição fetal

BUIKA, Capa do álbum “Mi niña Lola”, 2006.

Você é uma mulher adulta, madura, independente. Você é uma criança que quer ser cuidada, protegida, afagada. Você é segura, impõe respeito e resolve tudo sozinha. Você é uma criança que quer ouvir “não se preocupe com nada, não vou deixar que ninguém te machuque”. Você vai até o quarto, apaga a luz, deita debaixo das cobertas, coloca o fone de ouvido e dá play na música Mi niña Lola, cantada por Concha Buika. Você está em posição fetal. Por que você está tão triste? Conta pra mim, diz a verdade. Eu sei que tá doendo e eu quero te confortar. Você faz biquinho, se nega a dizer o que te comprime o coração. Mas tudo o que você quer é que eu insista e fique a seu lado, te fazendo cafuné enquanto você chora. Pode chorar, eu vou ficar aqui, segurando a sua mão. Enquanto Buika cantar, eu vou ficar aqui. Você não está sozinha. Seu pai nunca esteve assim do seu lado. E você chora por isso também. Pode chorar. Você queria um pai que te dissesse tudo isso. Ele nunca disse. Mas eu estou aqui e vou cuidar de você. Quando a música acabar, você não precisará mais do pai que nunca teve. Você não precisará nem de mim. Você é uma mulher adulta, madura, independente. Você é segura, impõe respeito e resolve tudo sozinha.


Solta o som

QUEEN, Capa do álbum “Jazz”, 1978.

Você também é do tipo de pessoa que não vive sem música? Eu sou e te digo que ela é capaz de me fazer viajar ao passado, ao futuro ou melhorar muito meu presente. Pra mim, a música tem que ser vivida, sentida em cada poro e é isso que te proponho agora. Quero que você realmente desperte - viva.

Você deverá deixar a música já pronta pra ser disparada ao acordar. Qual música? Don’t Stop Me Now, do Queen. Garanto que ela vai chacoalhar sua alma, te colocar em movimento. Você pode dizer: - Essa música fala da noite. Pra mim ela fala mesmo é de viver a vida. Então, você dá sua espreguiçada e solta o som. Aos primeiros acordes se coloque de pé. Seus pés já estão no clima, nada de preguiça. Balance o corpo caminhando até o banheiro, escove seus dentes no ritmo eletrizante da música, aliás, use sua escova como um microfone e solte a voz junto com Freddie. Olhe bem em seus olhos refletidos no espelho e repita – não me pare agora! Se solte, jogue água pra cima, divirta-se. São três minutos e vinte e nove segundos de música, sugiro que você programe repetições, quantas achar necessárias pra que você consiga fazer um alongamento. Se vista e tome seu café da manhã – sempre balançando seu corpo, cantarolando e trazendo boas energias pra mais um dia.


Quem não está inscrito no curso, mas quer embarcar na proposta e compor o coletivo de criação, basta acompanhar as postagens do blog e do Instagram (@roteirosminimos) e fazer os exercícios propostos, enviando-nos para publicação.

Instruções para ouvir música

Diretrizes para o oitavo exercício


CARDIFF, Janet & BURES, George. Dark Pool, 1995.

Escolha uma música. Escreva instruções detalhadas sobre como ouvi-la: no fone de ouvido, na caixa de som, em casa, na rua, no escuro, debaixo do sol, sozinha, com alguém, deitada ao chão, de pé, imóvel, em movimento, meditando, dançando, cantando, pulando, descabelando-se. As instruções devem permitir uma experiência guiada ao longo de toda a duração da música, podendo conter atos preparatórios e recomendações para depois da escuta. De preferência, informe um link para ouvir a música.


Se quiser participar dessa proposta, envie-nos suas instruções
(respeitar o limite de 15 linhas ou 1300 caracteres, contando espaços).

Instruções para fazer arte – procedimentos seguidos e resultados alcançados

A sétima proposta de exercício do curso foi escrever uma foi escolher uma das instruções para fazer arte e colocá-la em prática, seguindo o passo a passo. Leia abaixo os procedimentos seguidos e os resultados alcançados:


A primeira deslocada sou eu [Os três deslocados]

Depois de uma noite de chope desabei. Acordei e fiz um café forte que não consegui adoçar porque não encontrei o açucareiro. Bebi amargo, mesmo sabendo que “amarga basta a vida”, segundo os pessimistas.


Meio tonta pensei em sair de casa para respirar ar puro, mas não achei a chave. Apavorei-me com o fato de tê-la perdido dentro de casa. Muita calma nesta hora! Pensei em aproveitar este momento para ler. Cadê o livro?


Passei três dias invocando São Longuinho. Não sei se aconteceu um milagre: quando fui molhar a planta vi um montinho branco que me sussurrou suplicante: “sou açúcar e não terra, se molhado desapareço”. Fiquei nervosa e sentei na poltrona para abanar-me. Por debaixo de mim saiu uma voz de macho alfa: “se não levantar logo não conto o final da trama”.


A vizinha veio correndo e entrou como um vulcão na minha casa. Então vi que a porta não estava trancada. A chave do lado de fora debochou de mim com voz de Maria Bethânia: “a loucura é o sol que não deixa o juízo apodrecer”.


Um gutural etílico [Harmonia de bolhas]

Sábado à noite. Abro o blog da oficina de escrita e leio as diretrizes do próximo exercício – “instruções para fazer arte”. A que escrevi está lá. Será que alguém seguirá meu passo a passo? Difícil escolher um procedimento, todos são muito criativos. Elimino o que enviei para tentar novidades. Um deles me chama atenção logo que vejo a figura que ilustra o texto - uma bolha solitária, que em sua transparência reflete luzes azuis e verdes. Tenho fascínio por bolhas de sabão, desde criança, mas as que eu devo produzir não são as de substância detergente. Água pura e um malabarismo que envolve respiração, garganta, língua e céu da boca irão produzir sons – uma composição borbulhante. Olhei para o copo na mesa, mas nele tinha cerveja e não o puro líquido indicado. Resolvi tentar. Subverti a instrução. Caprichei nas notas e algumas bolhas até quiseram escapulir. A música animou o ambiente.


Lago de lágrimas [Fazendo um drama]

Suspiro. Lágrimas. Soluço. Mais lágrimas. E mais lágrimas. E mais lágrimas. Soluço. Mais e mais lágrimas! Muitas lágrimas. Soluço. Soluço. Soluço. Grande soluço. Tosse. Olhos cheios, rosto molhado, encharcado, pingando, escorrendo pelas bochechas, boca, pescoço, seios, abdome, umbigo. Um lago. As lembranças cheias de força. A emoção transborda e as cebolas ganham tempero especial.


Quem não está inscrito no curso, mas quer embarcar na proposta e compor o coletivo de criação, basta acompanhar as postagens do blog e do Instagram (@roteirosminimos) e fazer os exercícios propostos, enviando-nos para publicação.

Instruções para fazer arte – passo a passo

A sexta proposta de exercício do curso foi escrever uma instrução para a criação de uma obra de arte.
Leia abaixo algumas dessas instruções. Aproveite para fazer a sétima proposta de exercício: escolher uma das instruções para fazer arte, colocá-la em prática seguindo o passo a passo, e escrever um relato sobre os procedimentos seguidos e os resultados alcançados.


Rosas e águas purpurinadas

Colha rosas vermelhas no seu jardim e mastigue as suas pétalas movimentando bem as mandíbulas, como se fosse um camelo.

A sua língua deve ficar bem vermelha. Pela janela mostre-a (dê língua) ao seu vizinho mais chato.

Vomite o sumo em uma garrafa com gin, água benta e água de rosas, geralmente vendida em casas de iguarias do oriente, consumidas para relaxar e até para dormir. Asperge gotas no ar para o “santo do dia”. Depois beba, mas beba pouco, para não entrar em coma etílica.

Antes de fechar a garrafa cuja água apresentará a cor resultante da mistura do vermelho das rosas mastigadas e do rosa da água ksarra, jogue dentro mil purpurinas de todas as cores.

Sacuda bem e terá um efeito caleidoscópico. A cada sacudida tudo se transformará. Desta forma verá que até a purpurina brinca com o brilho dos encontros e desencontros das diversas cores do arco íris engarrafado. Tudo muda. “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. Nem a sua vida.


Harmonia de bolhas

Encha um copo com água e beba. Não engula todo o conteúdo, deixe parte do líquido entre a língua e o céu da boca. Abra suavemente os lábios e mantenha a língua suspensa, bem ao centro da cavidade oral. Incline levemente a cabeça de maneira que o pescoço penda para trás. Inspire com o nariz e dê uma baforada ou sopre o ar ao expirar. Perceba o borbulhar. Feche os olhos. Ouça o som de bolhas se formando ininterruptamente. Experimente variar a potência dos sopros. Comece soprando devagar e vá aumentando a força até atingir o ápice. Repita a sequência de ações quantas vezes quiser, variando a ordem de intensidade do sopro, até perceber que chegou ao clímax da composição borbulhante.


Os três deslocados: curadoria para uma exposição na sua casa

Escolha, aleatoriamente, três objetos da sua casa. Pode ser uma panela, um objeto de decoração e uma escova de dentes, por exemplo. Desloque-os para lugares muito diferentes dos seus ambientes de origem, sempre dentro da sua casa. Por exemplo, coloque o objeto de decoração dentro do armário da cozinha; a panela, dentro de cesto de roupas sujas; a escova de dentes, na geladeira. Deixe-os lá por três dias. Imagine como se sentem nesses novos ambientes. Do que eles sentem falta? O que estranham? O que mais lhes apraz e o que mais lhes chateia nesse novo ambiente? Escreva uma breve fala para cada um dos três deslocados, em que cada um conta sua experiência no novo contexto. Com todo o protocolo de segurança, convide amigxs para sua casa, cada um de uma vez, e apresente-os à exposição. Quando chegarem perto dos objetos deslocados, faça uma vozinha diferente (como a que você faz para os seus pets) e diga o texto criado para cada um deles.


FAZENDO UM DRAMA

Rale uma cebola lentamente, de olhos bem abertos.
Não faça nada para impedir as lágrimas.
Agora pense em algo triste, isso trará verdade à cena.
Deixe fluir. Sinta a emoção.


Quem não está inscrito no curso, mas quer embarcar na proposta e compor o coletivo de criação, basta acompanhar as postagens do blog e do Instagram (@roteirosminimos) e fazer os exercícios propostos, enviando-nos para publicação.

Instruções para fazer arte

Diretrizes para o sexto exercício


ONO, Yoko. Painting to Be Stepped On, 1960-61.

Escreva instruções para a criação de uma obra de arte: poesia, pintura, fotografia, escultura, dança, música, filme, performance, evento, objeto, comportamento etc. Imagine que a obra possa ser feita com materiais ordinários e cotidianos, por pessoas sem habilidades técnicas específicas da arte escolhida. Aliás, abandone a ideia de especificidade das artes. Lembre-se do que diz Yoko Ono:

“Penso que é bom voltar a se ter diferentes artes, inclusive o happening, assim como ter muitas flores. Em realidade, poderíamos ter mais artes de ‘cheirar’, ‘pesar’, ‘tocar’, ‘chorar’, ‘irar’ (competição de iras, este tipo de coisas). […] Mas voltando às várias divisões da arte, isto não significa, por exemplo, que devemos usar somente sons para criar música. Podemos dar instruções para olhar o fogo durante 10 dias e assim criar uma visão na mente.”

ONO, YOKO. Grapefruit: o livro de instruções e desenhos de Yoko Ono.
Belo horizonte, 2009.

Se quiser participar dessa proposta, envie-nos suas instruções
(respeitar o limite de 15 linhas ou 1300 caracteres, contando espaços).

Trazendo o acaso para casa – procedimentos seguidos e resultados alcançados

A quinta proposta de exercício do curso foi escolher uma das instruções para fazer irromper o acaso e colocá-la em prática, seguindo o passo a passo. Leia abaixo os procedimentos seguidos e os resultados alcançados:


T de Trapaça [Uma letra para guiar o seu dia]

Entrei na brincadeira. Fechei os olhos enquanto buscava um livro na estante. Eis que me deparo com a primeira encrenca: o livro que escolhi aleatoriamente trata de conteúdo técnico de trabalho. Paralisei! Tive vontade de burlar as instruções. Pensei, cheguei a devolvê-lo ao seu lugar na estante. Mas não seria justo! O objetivo de seguir orientações pré-definidas é justamente improvisar. Resolvido o conflito inicial, segui as demais instruções passo a passo: abri o livro na décima-quinta página. Mais um embaraço: caí na página das referências bibliográficas. Respirei fundo! Acolhi o que o acaso havia me apresentado e dei sequência às indicações contidas no roteiro escolhido. Agora seria necessário ir até a terceira linha e ver a terceira letra da terceira palavra. Que interessante! Encontrei a palavra outcome, traduzida em português como resultado, desfecho, efeito ou conclusão. Estaria eu ansiosa pelo resultado final da minha experiência? Desviei-me do pensamento para não desfocar e prossegui escolhendo 15 palavras com a Trivial letra “T”. Tencionei! Tentei não Titubear. Tomei uma Taça de Tempranillo e entrei num Transe Torporoso. Tateei, Transferindo o Travesseiro para a Têmpora direita e Tombei sobre a Trama de Tecido. Tudo Tranquilo. Triunfei! Transcendi o Tédio e a Tentação de Transgredir na Tarefa. Todavia, Trapaceei na Trama.


Ruidosas recordações [Uma letra para guiar o seu dia]

Remoto ruído rompe repouso.

Reviro-me, reparo rua (reles retintos rapazes, roupas remendadas, rezando, revirando restos, repetindo ratos).

Ruindade.

Romero, rogai.

Resolvo regar rosas,

Renegando ruidosas recordações.

Raiva. Ressentimento. Revolta. Ridículo regime rege rançosas rotas.

Raphael rindo reestabelece rumos.

Refaço, remonto, reconto.

Remotos ruídos relatam

Retratos realistas.

Refletir (e) resistir.


De olhos fechados e coração desejante [Uma letra para guiar o seu dia]

Retirei da estante o livro Performance e Antropologia de Richard Schechner (Zeca Ligièro). Coincidência: havia lido sobre as performances teatrais de M. Abramovic e as poéticas de Yoko. Na terceira linha da página 15 destacava-se a palavra edição cuja terceira letra é o i. Não podia parar para ler nem para editar nada. Sou também rainha do lar. Antes de iniciar a jornada doméstica, comi beiju com café. Sai para o mercado visando comprar iguarias de outros mundos. Foi impactante encontrar tâmaras de origem nas arábias. Imaginei-me, porque uma mulher deseja mais do que a vida doméstica, que estava chegando no Saara exatamente no pôr do sol, de beleza inebriante. Doce ilusão. “Volta prá real” - disse uma voz dentro de mim. Imediatamente dei-me conta de que não tinha passado pela gôndola dos instantâneos . Tinha que pensar na geladeira e comprar pouca coisa pois a infeliz estava com defeito. As rodas quadradas dos carrinhos sempre me irritam e, fazendo força, cheguei. Não ao infinito do deserto, mas ao caixa. Impressionantes os preços! Fiquei irada. Para piorar tinha esquecido o cartão. Que viagem nada interplanetária!!! Cheguei em casa de mãos abanando e cantarolando: “Amélia é que era mulher de verdade”. Eu não, irmã.


Deu M no meu dia! [Uma letra para guiar o seu dia]

Quinta à noite. Fui até a estante de olhos fechados e, tateando, peguei um livro. A Resistência trouxe em sua décima quinta página, terceira linha, terceira palavra, terceira letra, um M. Consoante que poderia movimentar meu dia, trazer maravilhas – magoar. Fiz uma lista de palavras com a letra, que em sua forma possui altos e baixos. Verbos para guiar minhas ações durante toda a sexta-feira. Fiz um roteiro, mas a vida sempre tem espaço para imprevistos. Acordei e movimentei meu corpo. Ajudou a despertar. Muitos compromissos pela manhã – lives intermináveis – me maquiei um pouco para disfarçar as olheiras. Almoço e preparação para ir ao mercado. Máscara no rosto e lá fui eu. Tive que manobrar o carro com cuidado – uma vaga enorme, mas o vizinho não tem noção de distância. Já em casa, medi o sofá que insiste em mostrar seu interior. Preciso encontrar outro bem confortável! Meu filho me avisou que manchei minha calça. Olhei no espelho e o jeans estava todo respingado. Lembrei do aviso de piso escorregadio ao lado da prateleira de água sanitária. Mais reuniões. Jantar feito – espaguete ao pesto – macerei o manjericão no pilãozinho. Que perfume! Sentei para descansar e o telefone vibrou. Trocamos alguns desaforos. Não vale a pena contar. Sequei as lágrimas e menti que estava tudo bem. Magoei e fui magoada. Apaguei no velho sofá.


Noite em branco [Instruções para fazer a leveza irromper ao acaso]

Cortei três pedaços de papel. Em dois deles devia escrever uma palavra que remetesse à ideia de leveza. No primeiro, escrevi leveza mesmo, porque nenhuma palavra remete melhor à ideia de leveza do que a própria palavra leveza. Escrevi leveza com a cor azul, cor do céu e do mar, para onde gosto de olhar quando busco calma. No segundo papel, escrevi calma. Poderia ter escrito tranquilidade ou serenidade, mas calma é mais bonito, mais sonoro, mais calmo. Escrevi calma com a cor roxa, que uma vez me disseram ser uma mistura do azul do intelecto com o vermelho do amor. Antes de dormir, coloquei a leveza e a calma debaixo do travesseiro. Deixei o terceiro papel em branco na mesa de cabeceira ao lado. Fechei os olhos e desejei que, ao acordar, a primeira cor que me viesse à mente fosse o branco. Mas não consegui dormir. Passei a noite em branco. Não teve nada a ver com os papeis debaixo do travesseiro. Foi efeito do antialérgico que me tira o sono. Antialérgico que tomei para acalmar a crise de rinite provocada pelos pelos de uma gata branca. Paciência. Quando amanheceu, e eu não tinha sonhado porque não tinha dormido, peguei o papel em branco e escrevi: paciência.


Desnudar o ser [Instruções para viver um amor tórrido]

Vivi uma vida de amores tórridos que me surgiram ao acaso. Agora diante da estante fecho os olhos com uma certa agitação na recusa de pensar em nomes com a letra M. Insistência do fim. Orquídea que perdura em florir, suas flores secas adornando a mesa com delicadezas. Abro os olhos. Fico na dúvida por onde começar, escolho o lado esquerdo superior e vou soletrando até o livro que me diria coisas que não faziam sentido, inicialmente. Como iria ler aquele trecho, ligar e dizer que tudo não passou de um mal-entendido? Trocar nudes então, nem pensar. Passaram-se dias e resolvi tentar recomeçar agora pela direita. Sorri ao ver o título do livro: Sexo entre mulheres – um guia irreverente. A sugestão era ler uma página sobre as delícias do tribadismo. E agora? Ligo? Tentei a outra estante e repeti o procedimento anterior. Primeiro pela esquerda e depois pela direita. Resolvi construir um outro texto a partir das derivas do acaso, lendo apenas os primeiros parágrafos de cada livro aberto. Veio um título Filosofia do espírito. Em seguida, aquele que seria o último texto, mas que não foi o derradeiro. Era tão pontual que me atravessou por inteira quase me partindo ao meio. Retornei ao primeiro livro e o encontrei fechado. Abri aleatoriamente em outro trecho. Um conselho: tentar. Não se deixar levar pela covardia de viver. Tomei coragem, mandei uma mensagem. Ela me pediu cinco minutos. Acho que vamos trocar nudes: desnudar o ser, o que fomos, o que seremos...


Quem não está inscrito no curso, mas quer embarcar na proposta e compor o coletivo de criação, basta acompanhar as postagens do blog e do Instagram (@roteirosminimos) e fazer os exercícios propostos, enviando-nos para publicação.

Trazendo o acaso para casa – passo a passo

A quarta proposta de exercício do curso foi escrever uma instrução para provocar o acaso em casa.
Leia abaixo algumas dessas instruções. Aproveite para fazer a quinta proposta de exercício: escolher uma das instruções para provocar o acaso, colocá-la em prática seguindo o passo a passo, e escrever um relato sobre os procedimentos seguidos e os resultados alcançados.


Instruções para viver um amor tórrido (sem sair de casa)

  1. Posicione-se diante de uma estante ou móvel com livros.
  2. Feche os olhos.
  3. Aquiete a mente.
  4. Deixe chegar até você a lembrança de uma pessoa que tenha desejado ou amado, ou que ainda deseje ou ame.
  5. Evoque internamente o nome desta pessoa, deixe o nome dela te tomar por alguns instantes.
  6. Pince a primeira letra do nome desta pessoa.
  7. Abra os olhos.
  8. Inicie o alfabeto, considerando o primeiro livro do canto superior como a letra A, siga nomeando cada livro com as letras subsequentes do alfabeto até chegar à letra que corresponde à primeira do nome da pessoa em questão. 
  9. Pegue o livro correspondente à primeira letra do nome desta pessoa e, de susto, abra o livro numa página aleatória.
  10. Leia silenciosa e atentamente a página. Observe que serão reveladas mensagens importantes sobre a relação entre vocês.
  11.  Em seguida, observe se a primeira letra do nome da pessoa corresponde à primeira letra da página. 
  12. Em caso afirmativo, entre em contato com a pessoa, leia a ela a página do livro em questão e diga que a ama. Sim, você a ama, assuma para si e para ela!
  13. Em caso negativo, entre em contato com a pessoa, leia a ela a página do livro em questão e diga que tudo não passou de um grande mal entendido.
  14. Por fim, caso a primeira letra do nome da pessoa esteja grafada em algum outro lugar da página (que não a primeira letra da página), troquem nudes imediatamente. 

Comunicação ao acaso

Quantos amigos você tem na sua lista de WhatsApp? Com quantos deles você conversou no último mês, no último ano? Pode contar nos dedos das mãos? De uma das mãos? Quais você tem negligenciado por falta de tempo ou preguiça? – por briga?

Vamos melhorar isso? Esse será um dia diferente. Siga as instruções.

1) Coloque em uma sacola os nomes dos seus amigos que estão na lista do WhatsApp – só daqueles com os quais você não fala há mais de 6 meses;

2) Sacuda bem a sacola;

3) Você deve sortear três nomes ao longo do dia – um pela manhã, um na hora do almoço e um à noite – o que for sorteado não volta para a sacola;

Atenção – respeite o sorteio.

4) Ligue para cada uma das pessoas. Não pode ser mensagem;

5) Não revele o jogo, a pessoa pode se ofender e, afinal, o acaso agiu. Apenas deixe a conversa fluir. Aproveite o momento.


Instruções para fazer a leveza irromper ao acaso

Corte três pedaços de papel de tamanho suficiente para guardar seus sonhos.

Escreva nos dois primeiros uma palavra que remeta à sensação de leveza.

Sem repeti-las para que permaneçam leves.

Use cores diferentes: uma que você goste e outra nem tanto.

Coloque os dois papéis embaixo do seu travesseiro.

Deixe o terceiro pedaço de papel em branco em algum lugar próximo.

Intencione que ao acordar a primeira cor que lhe venha à imaginação seja o branco.

Abra os olhos e fique por alguns minutos olhando para o teto.

Respire e faça pequenos movimentos circulares com as mãos e com os pés, bem lentos.

Caso lembre dos seus sonhos, pegue um dos papéis e leia a palavra em voz alta, vista-se com a cor correspondente. Pode ser que seja a cor que você goste ou nem tanto. Dependendo da cor, escolha uma música que você goste ou nem tanto. Dance com essa folha de papel.

Caso não lembre dos seus sonhos, pegue o pedaço de papel em branco, escreva uma palavra relacionada a um sonho que deseja realizar, vista-se de branco. Use esse pedaço de papel para produzir diferentes sons, leves e coloridos. Dance ao som do seu sonho.


Piada ou poesia?

Instruções para fazer alguém sorrir:

Pegue um envelope, um papel em branco, uma caneta e uma moeda de qualquer valor.

Jogue a moeda para o alto e pegue-a de volta. Abra a mão e veja qual face aparece.

Se for cara, escreva no papel a piada mais engraçada que você sabe.

Se for coroa, escreva a poesia mais linda e inspiradora que você conhece. Não deixe de indicar a autoria.

Perto do rodapé do papel, escreva: “Se você sorriu depois de ler, deixe esse papel em local público para dar a mesma chance a outra pessoa. Pode ser um banco de praça, um banco de metrô ou trem, um balcão de loja, um caixa eletrônico etc. Se quiser comentar, visite o blog escreverparaviver.com.”

Dobre o papel e coloque-o no envelope. Na frente do envelope, escreva: “Para sorrir...”. No verso, escreva “Remetente: blog Escrever para viver (escreverparaviver.com).

Repita todo o procedimento três vezes. Feche o envelope e entregue para as três primeiras pessoas que encontrar em sua casa. Pode ser um amigo, um parente, ou mesmo o entregador da farmácia ou do supermercado.

A ideia é causar leveza e alegria no leitor. Mas será que alguém lhe agradecerá por essa boa surpresa?


Uma letra para guiar o seu dia

De olhos fechados, escolha aleatoriamente um livro na sua estante. Qualquer um. Pode seu um romance, um livro de ensaios ou poesia. Vá até a página 15. Na página 15, vá até a terceira linha. Na terceira linha, vá até a terceira palavra. Na terceira palavra, vá até a terceira letra. Pronto. Agora você vai fazer uma lista de verbos e substantivos que começam com essa letra, 15 palavras no total. Em seguida, você vai tentar viver o seu dia em torno dessas palavras. Ou seja, tente realizar o máximo de ações com os verbos e substantivos listados. Depois me conta como foi?


Sonho molhado ao acaso

Você acordou agitada com lágrimas nos olhos. Levantou e ouviu o barulho de água. Com certa desconfiança (sonho, pesadelo ou acaso?) chegou na sala e o som era de cachoeira. Ouviu os gritos de duas mulheres vizinhas. Lembra? A sua caixa de lenços já estava vazia.

O aguaceiro que viu pela janela vinha da rua e entrava no prédio aos borbotões descendo as escadas. Você mora no 1º.andar e as vizinhas no subsolo. As águas no corredor cobriam os pés, depois escalariam as pernas e quem sabe, chegariam aos joelhos. Abrir a porta significava molhar os seus ninhos, as suas asas. Como dar limite ao rio que tudo arrasta?

Com vassouras e rodos você e as duas bruxas vizinhas resolveram jogar varetas. Quem pegasse mais varetas teria incumbência pelas cores: se fossem vermelhas, abriria a porta da sua casa para ver o que aconteceria; se fossem azuis, a vítima aquática berraria por socorro; se fossem amarelas, a vencedora abriria a sua porta, pegaria as chaves das portas das vizinhas. Para você o melhor seria abrir as com-portas, vassourar e puxar as águas com o rodo cantando: “a água vai rolar, garrafa cheia eu não quero ver sobrar”. Vai que cola. Ou que molha todo o corpo. Afinal de contas, “a água lava lava lava tudo, a água só não lava a língua desta gente”.


Quem não está inscrito no curso, mas quer embarcar na proposta e compor o coletivo de criação, basta acompanhar as postagens do blog e do Instagram (@roteirosminimos) e fazer os exercícios propostos, enviando-nos para publicação.

Trazendo o acaso para casa

Diretrizes para o quarto exercício


CALDAS, Waltercio. Dado no Gelo. Fotografia, 1976

Faça o acaso irromper na casa de alguém num certo dia. Você pode, por exemplo, dar instruções para um lance de dados (que, como sabemos, jamais abole o acaso), um cara ou coroa, a escolha de uma carta do baralho, um sorteio de papeizinhos etc. E informar algo do tipo: se sair X, então faça Y. Você também pode inventar maneiras próprias ou inusitadas para provocar o acaso. E lembre-se: o destino de alguém no período de um dia dependerá dos resultados desses lances de sorte, mas suas ações devem estar sempre circunscritas à sua própria casa. 


Se quiser participar dessa proposta, envie-nos suas instruções
(respeitar o limite de 15 linhas ou 1300 caracteres, contando espaços).