Carrego na boca um papel e um lápis

A primeira proposta de exercício do curso foi: escolher uma página de um dos seus contos ou romances preferidos, transcrevê-la, vivê-la, reescrevê-la a partir do vivido. Leia abaixo uma dessas reescritas, realizada a partir de um trecho do ensaio "A vida e o romancista", de Virginia Woolf.


ERBER, Laura. O livro das silhuetas. Vídeo-instalação, 2004.

São 2h15 da madrugada de um sábado.

Com minha caixinha de fósforos nas mãos, risco palitos de faíscas palavras.

Elas mal se completam no ar.

Palavras frouxas.

Esvaem-se.

Antes de.

São 2h15 da madrugada de um sábado. Fecho os olhos. Escuto frases fogo logo ali, sei suas nascentes. Risco fósforo. Se vão. As palavras.

Minha gata sabe esconder-se. Descobriu que entre o armário branco e a parede branca, onde entulham fotos, caixas de sapatos, passadeiras sem uso, o menino jesus na manjedoura enrolado na folha de são paulo, que bem ali é o lugar mais escuro e silencioso da casa. No nosso quarto todo meu, engatinho. Engatinho para trás do armário branco, carrego na boca um papel e um lápis. Silêncio.


Quem não está inscrito no curso, mas quer embarcar na proposta e compor o coletivo de criação, basta acompanhar as postagens do blog e do Instagram (@roteirosminimos) e fazer os exercícios propostos, enviando-nos para publicação.

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