Instruções para fazer arte – passo a passo

A sexta proposta de exercício do curso foi escrever uma instrução para a criação de uma obra de arte.
Leia abaixo algumas dessas instruções. Aproveite para fazer a sétima proposta de exercício: escolher uma das instruções para fazer arte, colocá-la em prática seguindo o passo a passo, e escrever um relato sobre os procedimentos seguidos e os resultados alcançados.


Rosas e águas purpurinadas

Colha rosas vermelhas no seu jardim e mastigue as suas pétalas movimentando bem as mandíbulas, como se fosse um camelo.

A sua língua deve ficar bem vermelha. Pela janela mostre-a (dê língua) ao seu vizinho mais chato.

Vomite o sumo em uma garrafa com gin, água benta e água de rosas, geralmente vendida em casas de iguarias do oriente, consumidas para relaxar e até para dormir. Asperge gotas no ar para o “santo do dia”. Depois beba, mas beba pouco, para não entrar em coma etílica.

Antes de fechar a garrafa cuja água apresentará a cor resultante da mistura do vermelho das rosas mastigadas e do rosa da água ksarra, jogue dentro mil purpurinas de todas as cores.

Sacuda bem e terá um efeito caleidoscópico. A cada sacudida tudo se transformará. Desta forma verá que até a purpurina brinca com o brilho dos encontros e desencontros das diversas cores do arco íris engarrafado. Tudo muda. “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. Nem a sua vida.


Harmonia de bolhas

Encha um copo com água e beba. Não engula todo o conteúdo, deixe parte do líquido entre a língua e o céu da boca. Abra suavemente os lábios e mantenha a língua suspensa, bem ao centro da cavidade oral. Incline levemente a cabeça de maneira que o pescoço penda para trás. Inspire com o nariz e dê uma baforada ou sopre o ar ao expirar. Perceba o borbulhar. Feche os olhos. Ouça o som de bolhas se formando ininterruptamente. Experimente variar a potência dos sopros. Comece soprando devagar e vá aumentando a força até atingir o ápice. Repita a sequência de ações quantas vezes quiser, variando a ordem de intensidade do sopro, até perceber que chegou ao clímax da composição borbulhante.


Os três deslocados: curadoria para uma exposição na sua casa

Escolha, aleatoriamente, três objetos da sua casa. Pode ser uma panela, um objeto de decoração e uma escova de dentes, por exemplo. Desloque-os para lugares muito diferentes dos seus ambientes de origem, sempre dentro da sua casa. Por exemplo, coloque o objeto de decoração dentro do armário da cozinha; a panela, dentro de cesto de roupas sujas; a escova de dentes, na geladeira. Deixe-os lá por três dias. Imagine como se sentem nesses novos ambientes. Do que eles sentem falta? O que estranham? O que mais lhes apraz e o que mais lhes chateia nesse novo ambiente? Escreva uma breve fala para cada um dos três deslocados, em que cada um conta sua experiência no novo contexto. Com todo o protocolo de segurança, convide amigxs para sua casa, cada um de uma vez, e apresente-os à exposição. Quando chegarem perto dos objetos deslocados, faça uma vozinha diferente (como a que você faz para os seus pets) e diga o texto criado para cada um deles.


FAZENDO UM DRAMA

Rale uma cebola lentamente, de olhos bem abertos.
Não faça nada para impedir as lágrimas.
Agora pense em algo triste, isso trará verdade à cena.
Deixe fluir. Sinta a emoção.


Quem não está inscrito no curso, mas quer embarcar na proposta e compor o coletivo de criação, basta acompanhar as postagens do blog e do Instagram (@roteirosminimos) e fazer os exercícios propostos, enviando-nos para publicação.

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