Instruções para fazer arte – procedimentos seguidos e resultados alcançados

A sétima proposta de exercício do curso foi escrever uma foi escolher uma das instruções para fazer arte e colocá-la em prática, seguindo o passo a passo. Leia abaixo os procedimentos seguidos e os resultados alcançados:


A primeira deslocada sou eu [Os três deslocados]

Depois de uma noite de chope desabei. Acordei e fiz um café forte que não consegui adoçar porque não encontrei o açucareiro. Bebi amargo, mesmo sabendo que “amarga basta a vida”, segundo os pessimistas.


Meio tonta pensei em sair de casa para respirar ar puro, mas não achei a chave. Apavorei-me com o fato de tê-la perdido dentro de casa. Muita calma nesta hora! Pensei em aproveitar este momento para ler. Cadê o livro?


Passei três dias invocando São Longuinho. Não sei se aconteceu um milagre: quando fui molhar a planta vi um montinho branco que me sussurrou suplicante: “sou açúcar e não terra, se molhado desapareço”. Fiquei nervosa e sentei na poltrona para abanar-me. Por debaixo de mim saiu uma voz de macho alfa: “se não levantar logo não conto o final da trama”.


A vizinha veio correndo e entrou como um vulcão na minha casa. Então vi que a porta não estava trancada. A chave do lado de fora debochou de mim com voz de Maria Bethânia: “a loucura é o sol que não deixa o juízo apodrecer”.


Um gutural etílico [Harmonia de bolhas]

Sábado à noite. Abro o blog da oficina de escrita e leio as diretrizes do próximo exercício – “instruções para fazer arte”. A que escrevi está lá. Será que alguém seguirá meu passo a passo? Difícil escolher um procedimento, todos são muito criativos. Elimino o que enviei para tentar novidades. Um deles me chama atenção logo que vejo a figura que ilustra o texto - uma bolha solitária, que em sua transparência reflete luzes azuis e verdes. Tenho fascínio por bolhas de sabão, desde criança, mas as que eu devo produzir não são as de substância detergente. Água pura e um malabarismo que envolve respiração, garganta, língua e céu da boca irão produzir sons – uma composição borbulhante. Olhei para o copo na mesa, mas nele tinha cerveja e não o puro líquido indicado. Resolvi tentar. Subverti a instrução. Caprichei nas notas e algumas bolhas até quiseram escapulir. A música animou o ambiente.


Lago de lágrimas [Fazendo um drama]

Suspiro. Lágrimas. Soluço. Mais lágrimas. E mais lágrimas. E mais lágrimas. Soluço. Mais e mais lágrimas! Muitas lágrimas. Soluço. Soluço. Soluço. Grande soluço. Tosse. Olhos cheios, rosto molhado, encharcado, pingando, escorrendo pelas bochechas, boca, pescoço, seios, abdome, umbigo. Um lago. As lembranças cheias de força. A emoção transborda e as cebolas ganham tempero especial.


Quem não está inscrito no curso, mas quer embarcar na proposta e compor o coletivo de criação, basta acompanhar as postagens do blog e do Instagram (@roteirosminimos) e fazer os exercícios propostos, enviando-nos para publicação.

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